A Nova Fronteira Mineral da Bahia: Do Vanádio para Data Centers de IA aos Bilhões em Terras Raras
Por Redação Economia Baiana Publicado com exclusividade pelo Economia Baiana — Jornal de Economia da Bahia
A geopolítica mundial dos minerais críticos necessários para sustentar a revolução energética e o avanço galopante da computação de alto desempenho encontrou no subsolo baiano um dos seus cenários mais promissores. Longe de ser apenas um produtor de matérias-primas tradicionais, o Estado da Bahia consolidou-se como o polo de extração de elementos estratégicos de altíssimo valor agregado: vanádio, terras raras, grafita para grafeno e níquel para baterias elétricas.
O Vanádio de Maracás e o Boom Global dos Data Centers de IA
No município de Maracás, no centro-sul baiano, opera a Mina Maracás Menchen, gerida pela mineradora canadense Largo Inc. Trata-se da única produtora em larga escala de pentóxido de vanádio de altíssima pureza de toda a América Latina.
Se historicamente o vanádio era consumido como elemento de liga na siderurgia para aços especiais, a demanda atual vive uma inflexão sem precedentes impulsionada pelo crescimento massivo de data centers voltados à Inteligência Artificial (IA) generativa e computação em nuvem:
O Polo de Terras Raras de R$ 3,6 Bilhões
Outro salto estrutural para o PIB do Estado ocorre na cadeia dos elementos terras raras — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio —, essenciais para ímãs permanentes de geradores eólicos e motores de tração elétrica.
O Projeto Monte Alto, capitaneado pela Borborema Recursos Estratégicos (subsidiária da multinacional Brazilian Rare Earths – BRE), projeta aportes de até R$ 3,6 bilhões para estruturar uma cadeia completa:
O Papel Fomentador da CBPM e o Grafeno
A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), órgão indutor do Estado da Bahia, tem desempenhado papel determinante na prospecção geológica e na oferta de áreas leiloadas a investidores globais. O Estado já detém uma das maiores reservas de grafita natural do país, base material para a fabricação de grafeno, com aplicações que variam da microeletrônica a revestimentos anticorrosivos para a indústria naval e petrolífera.
Em um contexto internacional em que grandes potências ocidentais buscam diversificar cadeias de fornecimento para reduzir dependências externas, a Bahia ergue-se não apenas como celeiro agrícola ou polo turístico, mas como território insubstituível para o fornecimento dos minerais que movimentarão o mundo nas próximas décadas.