Corrida pelo Combustível do Futuro: Biorrefinaria de US$ 3 Bilhões da Acelen Coloca a Bahia no Centro do SAF Global
Por Redação Economia Baiana Publicado com exclusividade pelo Economia Baiana — Jornal de Economia da Bahia
A descarbonização da aviação comercial internacional — responsável por quase 3% das emissões antrópicas globais de carbono — tem na Bahia um dos seus principais pilares de inovação e fornecimento em larga escala. Capitaneada pela Acelen Renováveis, controlada pelo fundo soberano Mubadala Capital dos Emirados Árabes Unidos, a implantação de uma biorrefinaria de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e diesel verde (HVO) em São Francisco do Conde já mobiliza um investimento total estimado em US$ 3 bilhões na sua fase inaugural.
O projeto acaba de ultrapassar seu marco mais crítico: a tomada formal da Decisão Final de Investimento (FID) e a estruturação de um pacote de financiamento internacional de US$ 1,5 bilhão. O consórcio bancário congrega a International Finance Corporation (IFC, braço do Banco Mundial), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o BID Invest e instituições globais como o HSBC, atestando o rigor ESG e a solidez financeira do modelo baiano.
Da Semente ao Tanque: O Poder Regenerativo da Macaúba
O principal vetor competitivo do projeto da Acelen reside no modelo integrado "da semente ao combustível" (seed-to-fuel), tendo como protagonista a macaúba (Acrocomia aculeata), palmeira nativa brasileira de extraordinário rendimento agronômico.
Diferentemente de commodities convencionais cuja expansão pode pressionar biomas florestais ou disputar área com lavouras alimentares, a macaúba apresenta características singulares:
Capacidade Industrial e Contratos de Exportação
A planta industrial, integrada territorialmente às instalações da Refinaria de Mataripe no Recôncavo Baiano, foi dimensionada para atingir uma capacidade nominal de 1 bilhão de litros de combustíveis verdes por ano quando atingir plena maturidade operacional em 2029.
Enquanto os pomares de macaúba cumprem seu ciclo biológico de maturação, a biorrefinaria operará com matérias-primas de transição, a exemplo de óleo vegetal usado (UCO) e óleos agrícolas certificados internacionalmente.
Grande parte da futura produção já se encontra contratada em acordos de off-take prévio com companhias aéreas dos Estados Unidos e da União Europeia, mercados onde mandatos regulatórios rigorosos de substituição fóssil entrarão em vigor nos próximos anos.
Parcerias com a IATA e o Hub Global de Bioenergia
Em recente posicionamento junto à Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a iniciativa baiana foi chancelada como referência de rota tecnológica viável para a aviação civil atingir a meta de emissões líquidas zero até 2050.
Para a Bahia, o empreendimento traduz a essência da nova economia: desconcentra renda para o semiárido através da cadeia agrícola familiar e cooperada da macaúba, gera empregos de alta especialização na refinaria e coloca o Estado no mapa definitivo das grandes capitais globais da transição ecológica.